Que estilo de forró você dança?

por iris De franco

 2016

 

          A pergunta quando eu digo que danço e dou aulas de forró: “mas que estilo de forró?” Os pedidos dos alunos: “Eu queria aprender uns girinhos para ficar mais divertido!”, ou “Não tenho vontade de estudar estas coisas de dança de salão, já passei desta fase, eu agora sou gente grande e só brinco com jogos de pernas. Você dá aula de roots?” Questionamentos corriqueiros no mundo atual do forró...E que forró é o meu? Eu danço o meu corpo misturado com o do meu par. Pode ser roots, estilizado, salão, zoukeado, tangueado, forrófieira, sambarockeado... depende de quem se move comigo...o que me importa não é o estilo, mas sim a troca, a conexão com o par e o transbordar de nossas almas na dança.

     

            A dança a dois fica gostosa quando há uma boa comunicação e respeito entre as partes e na medida em que ambos, além de apenas se comunicarem, não se machucam, mas sim se encaixam e se surpreendem. Conversando textos interessantes, trocando experiências de vida. É tão bacana quando flui aquele papo profundo com conexão de alma na mesa de bar com um desconhecido...é tão gostoso quando a gente sai da pista com o coração transbordando depois de uma dança que foi além da comunicação.

          Alcançar o fator surpresa no forró e esta conexão de alma é tão raro quanto encontrar a conversa profunda que flui na mesa de bar, normalmente nas baladas a gente vê muito bate-bate, empurra-empurra e homens querendo mandar na dança com mais ou menos brutalidade e mulheres que obedecem bem sendo aplaudidas. Que antigo e triste isto tudo, né?! Acho que podemos dançar o Gado "Enchucalhado" dando risada e não enchocalhando-o, literalmente. E também alçarmos mão da diversão sem nos preocupar com o que nossa panela vai achar da nossa dança.

                  Sou a favor de um forró criativo, mas vejo pouco isso na balada. Porque para esta categoria existir em primeiro lugar temos que transcender estilos e estarmos abertos ao desconhecido. Em segundo, é necessário ter um pouco de vocabulário variado, pernas, braços, corpo, em terceiro, uma boa comunicação com o par e em quarto esperar o momento do outro. Dançar a dois não é mandar e obedecer, é propor e contrapropor o tempo inteiro. Conduzido também pode criar e muitas vezes responder diferente do esperado pelo condutor, não porque ele não sabe o passinho da vez, mas sim pelo fato dele ter querência e resolver responder diferente.

          Enquanto estivermos vivendo um forró de panelas, defendendo um estilo para ganhar o pão ou para viver no conforto da nossa gangue, não vai ocorrer um forró criativo. De certo ele também não florescerá num salão de damas e cavalheiros, mas sim no de propositores e contrapropositores, os quais não estão preocupados com seu sexo e com do par, mas em dançar com e para um ser humano dotado de corpo, cérebro e alma que entregou três minutos ou mais de seu tempo a uma dança com um desconhecido.

                        Eu almejo sempre ensinar meus alunos a chegarem a suas próprias conclusões, isto eu faço com a orientação de como o corpo se comporta. Se eles querem aprender um passinho de salão, de roots, de gafieira, de tangueado, de zoukeado, não me importa. Mas espero de todo coração que no final da aula meus pupilos não saiam dela somente com um passinho da moda, pois isso eles podem fazer olhando um vídeo. Desejo sim que de minhas trocas no ramo do aprendizado, meus orientandos saiam de um encontro com uma luz de como se mexer com mais conforto, de como machucar menos o par, de como ser mais criativo, de como usar seu corpo produtivamente a seu favor.


                        E ao terminar uma dança no salão, eu não penso em quantas sacadas de pernas eu fiz, nem em quantas vezes eu girei, simplesmente sinto o grau de satisfação que tive em dançar com aquele par quando vejo minha alma sorrindo e transbordando, e isso, minha gente, pode ser com dois pra lá e dois pra cá e aquele abraço que só um bom forrozeiro sabe dar.

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